3 de abril de 2011

II – Revelações pós-ginástica

Ao passar das semanas eu, Jack e Mary fomos ficando cada vez mais próximos, tínhamos quase todas as aulas juntos e uma vez por semana eles iam pra minha casa pra jogarmos vídeo game e comer besteiras.
Até que quando completou exatamente um mês que Jack estava na escola ocorreram alguns fatos que iriam mudar o meu Destino assim como o dele, de Mary e de minha mãe.
Nós três tínhamos acabado de sair da aula de ginástica, estávamos indo em direção aos vestiários quando Mary fala:
- Josh, preciso te contar uma coisa que eu tenho escondido há uns meses.
- É muito urgente Mary? – Perguntei preocupado.
- Não muito, se quiser a gente conversa mais tarde – Disse ela, mas pude notar uma urgência na voz dela. – É só uma coisa tensa mesmo.
- Já to indo então – Eu disse, ficando curioso ao invés de preocupado – Jack, você se importaria de ir pro vestiário sozinho?
- Claro que não! Vou ficar te esperando. – Jack respondeu piscando pra mim.
Pela primeira vez em toda a minha vida senti vontade de pegar alguém de jeito ao invés de ser pego!
- Já volto! – Eu respondi tentando limpar meus pensamentos das cenas “Dark Lemon” que vieram à tona.
Fui atrás de Mary, ela tinha sentado nas arquibancadas que ficavam de frente pra o campo de futebol onde os meninos do segundo ano jogavam no esquema “Com camisas X Sem camisas” (bela vista!)
- Fala Mary! – Eu disse sentando ao lado dela – Qual é a coisa tensa que você tinha pra me contar?
- Então J, nós nos conhecemos há tantos anos. Você nunca desconfiou de nada? – Ela perguntou.
De fato nós nos conhecíamos há cinco anos. Ela tinha um jeito nada feminino e falava dos homens como se tivesse nojo, então só podia ser uma coisa!
- Mary, você é lésbica?! – Eu perguntei meio que assustado.
- Não! – Respondeu ela ruborizada – Quer dizer, quase.
- Como assim?! – Eu perguntei assustado.
- Lembra de um caso que eu tive com uma pessoa chamada Jullian? – Ela perguntou.
Jullian era o caso de verão dela, eles se conheceram em Houston e por coincidência, ele iria se mudar para a rua dela essa semana.
- Lembro, mas o que tem ele? – Eu perguntei.
- Não é ele. É ela!
Pausa dramática.
-Oh meu Deus! – eu tive um momento histérico tão tenso que os meninos que estavam jogando pararam pra nos observar.
- J, você é gay? – Ela perguntou.
- Sou. Tá tão na cara assim? – Eu perguntei indignado.
- Não! – Ela respondeu – É porque eu te conheço há muito tempo!
- Ah tá... – Eu respondi muito aliviado. – Mary, é melhor a gente falar sobre isso hoje na minha casa depois da escola. Ok?
- É muito mais seguro J – Ela respondeu bagunçando os meus cabelos.
 Eu a deixei no vestiário feminino e segui em direção ao vestiário masculino, quando eu cheguei lá eu avistei Jack discutindo com alguém por telefone. Ele estava terminando com a namorada.
Eu cheguei perto, coloquei a mão em seu ombro e falei:
- Calma!
- Escute aqui você... Desculpe Josh – Respondeu ele segurando a minha mão. - Vai lá pra ducha que a gente conversa quando você sair.
Ok – Eu respondi.
Foi a ducha mais rápida que eu já tomei. Quando eu voltei, Jack estava sentado perto da porta do vestiário chorando igual a uma criança. Eu não aguentei. Ajoelhei na frente dele e o abracei.

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